quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Roda de Funk no morro Santa Marta!
Proibida por duas vezes consecutivas pela Polícia Militar, aconteceu neste domingo (26/7), enfim, a roda de funk no Santa Marta, em Botafogo. Organizada pela Associação dos Profissionais e Amigos do Funk (Apafunk), a roda reuniu, das 17 às 22h, mais de 500 pessoas que passaram pela favela da Zona Sul para o ato público em defesa da liberdade de expressão do funk e contra a criminalização do ritmo. Sob o comando da capitã Priscila, à frente da Unidade Pacificadora local, mais de uma dezena de PMs armados acompanharam de perto o encontro, do início ao fim. Teve policial que não resistiu e, mesmo fardado e armado, acabou dançando, ainda que discretamente, ao som animado da roda.
Legítima manifestação cultural popular, o funk tem enfrentado explícita censura imposta pelo poder público. MC Leonardo, presidente da Apafunk, e MC Fiell, da Visão da Favela Brasil e morador do morro, comandaram a roda, que contou ainda com MC Júnior, Mano Teko, MC Tiana e mais de 20 funkeiros e rappers das mais diversas favelas, inclusive do próprio Santa Marta, como MC Carlinhos. Os artistas se apresentaram ao longo de cinco horas de roda de funk de raiz, assim chamado pelo caráter de denúncia das letras sempre inspiradas na realidade social das favelas. Nem sinal nas músicas de pornografia ou de apologia ao crime organizado.
Antes de a roda se abrir, com o DJ Marcelo Negão nas picapes, houve apresentação da Cia Marginal de Teatro, do Complexo da Maré. Durante o ato, o graffitteiro Gaiato entrou em ação e presenteou a comunidade com uma de suas obras, batizada como O Cara de Pau. Houve ainda a exibição de fotos de bailes em um telão.
Representantes da música do asfalto também apareceram para se unir à luta, caso de uma das componentes das Chicas, Isadora Medelha, que cantou o Rap do Silva. Marcelo Durão, coordenador do MST, também se apresentou, assim como representantes do coletivo Lutarmada de hip hop.
Entre um funk e outro, militantes do movimento discursaram contra as arbitrariedades cometidas pelo poder público para impedir funkeiros de trabalhar. A Apafunk luta pela aprovação de dois projetos de lei, propostos pelo deputado estadual Marcelo Freixo, para garantir a livre manifestação do funk. Um dos projetos prevê a revogação de lei estadual, de autoria do deputado cassado Álvaro Lins, que atribui à PM o papel de autorizar ou não eventos do gênero. O outro projeto tem o objetivo de garantir a liberdade do funk por meio do reconhecimento oficial do ritmo como manifestação cultural.
A roda chegou a ser anunciada e cancelada duas vezes desde 26/6 e só aconteceu neste domingo depois de muita negociação com a PM, que só concordou em autorizar a realização do ato depois que a Apafunk cogitou a possibilidade de entrar com mandado de segurança na Justiça para garantir esse direito constitucional.
O Santa Marta ferveu
Participaram da organização e/ ou apoiaram a roda: Apafunk, Visão da Favela Brasil, Direito Pra Quem, Coletivo Lutarmada, Justiça Global, DCE-Uerj, DDH, CDDH-Petrópolis, MST, Movimento dos Trabalhadores Desempregados, Centro Acadêmico de Direito do Ibmec, Equipe de som Espião Choque de Monstro, Cartel do Rap de Foz do Iguaçu, Sepe e Mandato Marcelo Freixo (PSOL).
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